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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Torres del Paine

Nossa próxima parada seria na cidade de Puerto Natales, localizada na Patagônia Chilena. Este município, de aproximadamente 19.000 habitantes, é o principal ponto de partida para o famoso Parque Nacional Torres del Paine, que era nosso destino na manhã seguinte. Nesta altura da viagem, o frio aumentava progressivamente à medida que a quilometragem no painel do carro crescia. Puerto Natales é uma simpática cidade, foi o que percebemos em uma primeira caminhada em busca de um chocolate quente. Mas o frio e o vento nos levaram de volta ao hotel, de onde saímos somente para jantar. Na manhã seguinte partimos cedo para o Parque, que foi fundado no final da década de 50 e declarado Reserva da Biosfera em 1978, pela Unesco. Com uma área de cerca de 242.000 hectares, a natureza reserva surpresas como cascatas, lagos, rios, corredeiras, glaciares e as famosas Torres del Paine, que a névoa daquele dia nublado nos impediu de ver inteiras.





A Cordilheira Paine é mais jovem que os Andes, mas sua beleza é tão surpreendente quanto. O Parque oferece estrutura com bons hotéis e restaurantes, mas para quem busca economizar, a melhor opção é mesmo ficar em alguma cidade próxima. O frio e a neblina transformaram a paisagem em um verdadeiro cenário de filme. O barulho dos rios e das cachoeiras, assim como as trilhas para se chegar aos glaciares, requer fôlego e coragem. Em um dos locais, as árvores chamam a atenção com seus troncos furados e secos. O Parque Nacional Torres del Paine traz diversas opções de lugares para se visitar, fotografar e jamais esquecer!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Mais uma aventura

Olá! Vou continuar com os posts antigos, desta vez sobre a viagem que fizemos em dezembro de 2004 para Ushuaia, na Argentina.


Pouco mais de nove meses depois da conquista do deserto, a Patagônia Argentina e a Terra do Fogo nos esperavam, com suas surpresas e encantos. Em dezembro de 2004, nosso destino era Ushuaia, a cidade mais ao sul do mundo. Chegar de carro até lá realmente é uma grande aventura, possível apenas no verão, pois no inverno o gelo domina a região e alguns locais são impossíveis de atravessar. Mais uma vez variamos entre o frio e o calor, o mar e o topo das montanhas, as grandes metrópoles e as cidades isoladas do interior. Conhecemos pinguins, leões, elefantes e lobos marinhos, cidades turísticas, como Bariloche e Punta Del Este, pratos típicos, vimos o dia amanhecer às três horas da manhã e o sol se pôr às dez horas da noite... são coisas que apenas os lugares mais extremos do mundo podem oferecer.


A mala, como em fevereiro, reunia roupa de verão e inverno, as blusas de lã e enormes casacos se misturavam com trajes de praia. Uma boa dose de comida e bebida, pois não sabíamos o que nos esperava pela frente e quando apareceria a próxima cidade ou restaurante. De Videira (SC) até Ushuaia, em linha reta, são 3.340 km. Por rodovia, a distância aumenta para 4.946 km. Contando a ida e a volta, todos os passeios e constantes imprevistos, totalizamos 14.216 km rodados, em 24 dias de viagem. É essa aventura que vocês começarão a acompanhar a partir do próximo post. Preparem-se para se surpreender a cada curva.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Bem-vindo ao Brasil!

Depois de 12 dias viajando, que passaram muito mais rápido do que eu imaginava quando entrei contra minha vontade no carro em Videira, chegamos novamente ao Brasil. Depois de uma fila enorme na aduana em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, conseguimos atravessar a fronteira. Depois de conhecer diversos pontos turísticos argentinos e chilenos, as terras gaúchas ainda reservavam mais uma surpresa. Decidimos visitar a simpática cidade de São Miguel das Missões. Localizado no noroeste do Rio Grande do Sul, o município abriga o Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, o maior legado dos Sete Povos Missioneiros e um dos principais vestígios das Missões Jesuíticas dos Guaranis. Em 1983, as ruínas foram declaradas Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. No lugar também está o Museu das Missões, onde se encontram estátuas feitas pelos índios guaranis. A construção da igreja iniciou em 1735, sendo concluída somente 10 anos depois. O padre jesuíta italiano, Gean Battista Primoli, foi o responsável pela obra, que teve influência barroca.

O mais surpreendente é caminhar no meio das construções, podendo observar todos os traços arquitetônicos. Antes de começar o passeio, é exibido um vídeo e um guia explica a história das missões e como elas eram organizadas. Durante a caminhada no meio das ruínas, é impossível não imaginar como tudo funcionava antigamente. A igreja é realmente gigantesca e o lugar transmite muita paz. Cercado de verde e grandes árvores, longe do barulho e da poluição, parece que voltamos no tempo por algumas horas. A grandiosidade e a perfeição da construção nos fazem refletir sobre a quantidade de índios que trabalharam para que ela fosse concluída e a maneira como os jesuítas coordenavam todo o trabalho.

O Caminho das Missões faz a ligação entre as cidades de São Borja e Santo Ângelo, totalizando 325 quilômetros. Os Sete Povos das Missões são: São Miguel das Missões, São Lourenço Mártir, São João Batista, São Nicolau, São Borja, São Luís Gonzaga e Santo Ângelo. Os quatro primeiros ainda possuem ruínas, já nos últimos três povos elas foram totalmente destruídas. A viagem estava completa... depois de 14 dias viajando, variando do frio ao calor, do mar ao topo das montanhas, do oceano ao deserto, da Cordilheira dos Andes ao Deserto do Atacama, estávamos voltando para casa com imagens inesquecíveis e muitas histórias pra contar. E também com a certeza de que valeu a pena! Naquele momento, o fato da viagem ser de carro ou durante o Carnaval não tinha mais a menor importância. Carnaval tem todo ano... e o carro era bom ir se acostumando, porque em dezembro daquele mesmo ano a viagem seria muito mais longa (preparem-se)!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Aconcágua

Após alguns quilômetros, a Cordilheira dos Andes nos aguardava novamente, com suas belezas naturais e suas gélidas temperaturas. Decidimos visitar o Parque Provincial Aconcágua, onde se encontra o Monte Aconcágua, que significa “Sentinela de Pedra”. Com seus 6.962 metros de altitude, é o ponto mais alto das Américas, de todo o Hemisfério Sul e o mais elevado do planeta fora da Ásia. O pico localiza-se nos Andes Argentinos e desafia montanhistas do mundo inteiro. Infelizmente, não tivemos a sorte de ver o topo do Aconcágua. Naquele dia, o tempo estava nublado, fechado e ventando muito, e o pico estava escondido atrás da neblina. Permacemos um tempo na esperança de que o vento expulsasse a névoa e permitisse a visualização, o que não aconteceu. De acordo com os montanhistas que se aventuram na região, o grande problema é enfrentar o frio e a falta de oxigênio, comum em grandes altitudes.


O mirante é cercado por montanhas, que possuem as mais variadas formas, algumas bastante pontiagudas, outras mais suaves. O tempo completou o cenário e parecia que estávamos no fim do mundo. Como não era posssível enxergar o que havia depois da neblina e da névoa, a impressão era de que tudo acabava ali e seríamos engolidos por aquela fumaça branca. Como o tempo só piorava, a temperatura baixava e o vento soprava cada vez mais forte, achamos melhor deixar o Monte Aconcágua para uma próxima oportunidade. Tiramos algumas fotos, passamos mais um pouco de frio, caminhamos na região e seguimos viagem. Essa era nossa despedida definitiva da Cordilheira dos Andes.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Chegamos ao Oceano Pacífico

Deixamos para trás o Deserto do Atacama e partimos rumo ao litoral. Decidimos passar um dia descansando em La Serena, um famoso balneário chileno. Como lá a alta temporada é em fevereiro, a praia estava lotada, o que era notável nas filas dos restaurantes e no movimento na avenida. La Serena lembra muito as praias brasileiras, principalmente a Avenida Del Mar, nem parecia que estávamos em outro país. Os outdoors, a ciclovia, os vendedores, os barzinhos, tudo muito parecido. Mas basta chegar na areia e, principalmente, no mar para notar as principais diferenças. A areia é mais grossa e tem muitas conchas, de diversos tamanhos e formas, e a água é gelada demais. Talvez por isso a maioria das pessoas prefira ficar apenas na areia ou nas piscinas. É comum a temperatura da água ficar em torno dos 15ºC.

 
 
 

La Serena é a capital da Região de Coquimbo e possui uma área de 1.892,8 km². Banhada pelo Oceano Pacífico, atrai muitos turistas durante o verão. É a segunda cidade mais antiga do Chile, que já foi saqueada e destruída por piratas diversas vezes ao longo do século XVIII. A ciclovia na Avenida Del Mar era bastante movimentada e resolvemos passear também. Depois de alguns problemas de comunicação no hotel, conseguimos fazer com que eles entendessem que queríamos quatro bicicletas. Pedalamos muito, conhecemos algumas praças, tomamos sorvete, tiramos fotos e retornamos ao hotel curtir a piscina, já que a temperatura do mar espantava os banhistas. No final do dia, vimos o sol se pôr no Oceano Pacífico e comemos uma pizza deliciosa. Daquele ponto da viagem em diante, era só começar a voltar. Claro que fizemos uma rota diferente e conhecemos outros lugares. Depois do Deserto do Atacama, agora era o Oceano Pacífico que ficava para trás.

domingo, 23 de novembro de 2014

Geisers del Tatio

Geisers del Tatio... eram eles que nos esperavam no dia seguinte. Talvez de todos os lugares que iríamos conhecer, esse era o que mais me deixava curiosa, principalmente por não conseguir imaginar como seria. Acordamos às 4h da madrugada, colocamos todas as roupas de inverno que levamos e mesmo assim passamos muito frio! A temperatura em nada lembrava o calor que fazia durante o dia, nem parecia que estávamos no meio do deserto mais árido do mundo. Como a estrada até os geisers era muito perigosa, fomos com uma excursão. Na van havia muitos europeus, com sua pele branca e seus cabelos loiros. Como a estrada era muito sinuosa, foi impossível dormir, e como ainda estava escuro, não conseguíamos ver muita coisa. Cansados e com muito sono, chegamos ao tão aguardado destino. O café da manhã seria lá mesmo nos geisers, o hotel preparou os lanches e a empresa de turismo montou uma mesa no campo geotérmico. Os ovos foram cozidos e o leite aquecido com a água fervente que saía da terra. Estávamos todos naquela expectativa para que algum gêiser jorrasse água.

 

Os Geisers del Tatio localizam-se a 98 km de San Pedro de Atacama e a 4.321m de altitude, sendo os mais altos do mundo, aos pés do vulcão Tatio e rodeados de altas montanhas. Quando chegamos, a temperatura estava em torno de -5°C e mesmo o vapor quente que saía dos geisers não nos aquecia. Situados em um terreno geotérmico, a grande atração era caminhar pelo solo vulcânico e observar os jorros de fumaça e água quente vindos das profundezas da Terra. Há dezenas de geisers de diversos tamanhos. E a maioria costuma expelir água durante o nascer do sol. Quando o astro começou a aparecer, a temperatura subiu para 0°C, mas a beleza era tamanha que o frio já nem nos incomodava mais. Timidamente, os geisers começaram a liberar água, até que um deles nos surpreendeu e alcançou mais de 10 metros de altura. A água subindo e os raios de sol batendo nela formavam uma paisagem perfeita. Pouco a pouco, outros buracos foram se manifestando e com o sol já posicionado, pudemos observar melhor as maravilhosas formações rochosas da região. Ao lado dos geisers existe uma enorme piscina natural, com água quente, onde era permitido banho. Como ainda estava muito frio, preferimos ficar apenas olhando e conhecendo a região.

 
 
 

No retorno a San Pedro, as blusas de lã e moletons foram ficando para trás. O calor do deserto e o sol ardente estavam lá para oferecer aos turistas mais um dia de aventura! Voltamos ao hotel, pegamos nossas coisas e partimos rumo ao Oceano Pacífico, com a certeza de que conhecer o Deserto do Atacama, suas formações naturais e suas paisagens únicas valeu a pena! Nosso principal destino ficava para trás, mas ainda havia muita estrada pela frente!

domingo, 16 de novembro de 2014

Desbravando o Deserto do Atacama

Na manhã seguinte, levantamos cedo e nosso guia já estava esperando. O roteiro incluía visitar o Salar de Atacama, o Vale da Morte e por último ver o pôr-do-sol no Vale da Lua. Máquinas fotográficas na mochila, roupa fresca e confortável, garrafas de água, protetor solar e muita disposição para caminhar. Durante a manhã visitamos o Salar de Atacama, aproximadamente 60 km ao sul de San Pedro. A salina está a 2.300 metros acima do nível do mar e possui 100 km de comprimento por 80 km de largura. Uma parte do salar pertence à Reserva Ecológica Los Flamencos, que apresenta espécies de flamingos e outras aves, como gansos e patos. O Salar de Atacama é remanescente do mar que ficou preso entre as montanhas há 65 milhões de anos, quando as placas tectônicas se chocaram. Com a evaporação da água, formou-se a salina. Há pequenas lagoas de água salgada que servem de habitat para uma espécie de camarão vermelho, que é o alimento dos flamingos. Ao contrário da outra salina que conhecemos, essa tem o espaço para circulação de pessoas delimitado, com a intenção de proteger os animais. São caminhos sinuosos em meio ao deserto de sal, uma espécie de trilha, que parecia curta, mas o sol e o calor aumentavam o trajeto. O cheiro não era muito agradável, mas depois de alguns minutos não sentíamos mais, tão fascinados estávamos com os flamingos e com a beleza do lugar. Esses animais são muito elegantes, caminham com uma sutileza surpreendente e parecem não se importar com a nossa presença. Pequenas iguanas nos acompanhavam durante a travessia. No começo brincávamos para ver quem achava mais delas. Olhar o horizonte e ver o branco do salar encontrar o azul do céu completava o passeio. Passamos a manhã caminhando pelo salar.

 
 

Pausa para o almoço e para recarregar as energias. Almoçamos no centro de San Pedro de Atacama. Incrível como os moradores recebem bem os turistas e os lugares são aconchegantes. Depois de comer e ter uma breve aula de história com a garçonete, que se não me engano era européia e se encantou tanto com o lugar que resolveu morar ali por um tempo, resolvemos dar mais uma volta pelo centro e tirar algumas fotos. No meio da tarde, reencontramos nosso guia e partimos para o Vale da Morte. Há duas versões para o nome, a primeira diz que muitos nativos foram executados ali durante a dominação espanhola. A segunda afirma que antigamente muitos morreram ao tentar atravessar o vale. Não posso garantir nada a respeito da primeira hipótese, mas a segunda me parece bastante real. O Vale da Morte possui um terreno arenoso e montanhoso, com diversas esculturas naturais. Nosso guia sugeriu atravessar uma caverna com as paredes forradas de sal, para conferir de perto as formações e o brilho do mineral. Por sorte a volta não precisava ser por dentro da caverna, pois quanto mais avançávamos, maiores eram os desafios e mais estreitos os caminhos. No final valeu a pena, saímos em cima dela e os cristais de sal brilhavam como diamantes. Fotos e mais fotos e resolvemos ir conhecer outras estátuas naturais. Fila para fotografar, devido ao elevado número de turistas.

 
 


O final da tarde se aproximava e o maior espetáculo ainda estava por vir. Vale da Lua.. lá fomos nós! O Vale da Lua, que recebe este nome por parecer com a superfície lunar, é uma depressão de aproximadamente 500 metros de diâmetro, com várias formações de sal, repleta de montanhas, vulcões e dunas desérticas. Desértica apenas por estar no meio do deserto, porque todos os turistas tiveram a mesma ideia: escalar as dunas para ver o sol sumir atrás da Cordilheira dos Andes. Descemos do carro e analisamos por alguns minutos o tamanho da subida, respiramos fundo, contamos até dez e encaramos o desafio. Quanto mais subíamos, mais distante o topo parecia, pois como a areia é muito fina e escorregadia, a cada dois passos voltávamos um. Mas a fila de corajosos para escalar a montanha só aumentava, devia valer muito a pena. Chegando ao topo, a certeza de que cada passo valeu a pena, e como valeu! O Vale da Lua é maravilhoso! As formações, o brilho do sal, o silêncio, as cores, a suavidade da areia... O grande espetáculo estava prestes a começar! Todos observaram concentrados o sol se despedir de mais um dia. As montanhas, que no início eram amarelas, tornaram-se laranjas, em seguida rosas e por último vermelhas, sempre contrastando com o branco da neve no topo do vulcão. Quando o astro partiu por completo, ficamos mais um tempo para repor as energias e começamos a descida, que foi uma aventura à parte. Como já estava escuro, eu e meus irmãos descemos pulando. Depois de choques acidentais com alguns turistas e sentir pessoas rolando perto dos nossos pés, encontramos nosso guia e voltamos para o hotel, com a certeza de que tínhamos presenciado um dos espetáculos naturais mais belos da Terra! À noite, durante o jantar e antes de dormir, só falávamos sobre aquilo. Dormimos sonhando com o Vale da Lua, sem imaginar o que nos esperava no dia seguinte, ou na madrugada seguinte...

 
 
 
 
 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Chegamos ao destino

Chegando a San Pedro de Atacama, mais uma mudança nos planos. A idéia inicial era acampar, levamos barracas e sacos de dormir, mas os campings não oferecem estrutura e tivemos que procurar um hotel. No dia anterior não havia água na cidade, mas por sorte o hotel que pegamos tinha abastecimento próprio e o banho estava garantido. Estávamos no meio do Deserto do Atacama, cercados por areia e sofrendo com o calor. O Deserto do Atacama localiza-se no norte do Chile e é considerado o deserto mais alto e árido do mundo, pois as chuvas são escassas na região. As correntes marítimas do Pacífico não conseguem passar para o deserto, por causa de sua altitude, sendo o lugar na Terra que passou mais tempo sem chover, cerca de 400 anos. Mesmo com a falta de precipitação, é comum nevar nas partes mais elevadas, como perto dos vulcões. O deserto tem cerca de 200 km de extensão e as temperaturas variam de 0ºC à noite até 40ºC durante o dia.


San Pedro de Atacama é uma pequena cidade localizada no meio do Deserto do Atacama, com cerca de 3.500 habitantes e uma área de 23.438,8 km². Com uma altitude de 2.400 metros, é chamada de oásis de San Pedro de Atacama, já que está numa região inóspita e isolada. Viajantes do mundo inteiro chegam à cidade, o que transforma seus bares e restaurantes em locais agitados. A cidade mais próxima é Calama, cerca de 100 km a oeste, que oferece shopping, aeroporto e outros serviços. Passear pelo centro de San Pedro e conhecer seu comércio é uma experiência única. As feiras de artesanato colorem a cidade e o número de turistas surpreende, ainda mais quando você imaginava chegar a um lugar no meio do nada e ver apenas algumas montanhas de areia. A arquitetura chama a atenção, a maioria das casas são feitas de barro e é impossível pensar como aquelas pessoas vivem sem televisão e computador. A Igreja de San Pedro, construída no início do século XVI, é um legado dos antigos colonizadores espanhóis.


A beleza natural daquele lugar único chama a atenção. O branco da neve no topo das montanhas e dos vulcões contrasta com a cor avermelhada da areia e com o calor. Durante a noite, a temperatura cai bastante e nem parece que estamos em um deserto, explicado o motivo pelo qual minha mãe insistiu tanto para que colocássemos casacos e blusas de frio na mala. Olhar para o céu à noite é uma imagem inesquecível, considerada uma das regiões mais limpas do planeta, as estrelas parecem estar mais próximas e brilhantes. O Deserto do Atacama realmente reserva grandes surpresas, que começaríamos a conhecer na manhã seguinte.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Desbravando a Cordilheira dos Andes

Não lembro exatamente quando surgiu esse assunto, recordo apenas que estávamos jantando e meu pai disse algo parecido com ‘vamos fazer uma viagem, provavelmente até o Deserto do Atacama’. Tudo perfeito, se não fossem dois detalhes que, naquele momento, pareciam de suma importância: 1. a viagem seria de carro; 2. a viagem seria durante o Carnaval! Depois de uma série de reclamações e algumas reinas apoiada por meus irmãos, acabei embarcando contra minha vontade no carro em uma manhã de fevereiro de 2004. Fones no ouvido, lugar na janela garantido, travesseiro na mão e planos para dormir a viagem toda.. partimos de Videira

Depois de alguns quilômetros percorridos e um generoso café da manhã, as coisas começaram a melhorar. Cordilheira dos Andes, Deserto do Atacama, como seria possível chegar de carro até lá?! Foi a primeira pergunta que me fiz! A resposta e a aventura começariam mais precisamente em Salta, cidade no noroeste da Argentina, à leste da Cordilheira dos Andes, distante 1.617 km da capital, Buenos Aires. Sua localização é estratégica, facilitando a comunicação com a Bolívia e o norte do Chile. Salta possui aproximadamente 462 mil habitantes e sua região metropolitana é a oitava maior do país. Partindo de Salta, a beleza natural e a subida da Cordilheira surpreendem a cada curva! Antes de chegar ao próximo destino, a cidade de Susques, atravessamos Salinas Grandes. Um deserto de sal de aproximadamente 210 km², resultado da evaporação da água salgada oriunda do mar, pois a Cordilheira dos Andes já esteve debaixo do oceano. A estrada atravessa o salar e ficamos nos perguntando se seria possível andar sobre ele, quando de repente surge um grupo de motoqueiros no meio daquela paisagem branca. Pisar na salina é incrível, assim como ver algumas construções feitas apenas de sal. A viagem começava a valer a pena!



A quilometragem aumentava e era impossível pensar em encostar a cabeça no travesseiro, todos ansiosos para saber o que vinha pela frente. No final da tarde chegamos a Susques, o “Portal dos Andes”. Um pequeno vilarejo no meio do nada, o último antes da aduana, a 3.700 metros acima do nível do mar. O ar rarefeito já atuava sobre nós, uma simples caminhada parecia uma maratona, mas valia a pena. Dormimos por ali, num hotel super aconchegante, e partimos na manhã seguinte para o Chile, através do Paso de Jama, um caminho no meio da Cordilheira dos Andes. Atravessamos a fronteira a 4.230 metros de altitude.



A partir daí começava a descida até San Pedro de Atacama. A Cordilheira dos Andes, uma cadeia de montanhas localizada na costa ocidental da América do Sul e datada do período Terciário, possui aproximadamente 8.000 quilômetros de extensão, sendo a maior em extensão do mundo. A altitude média gira em torno de 4 mil metros e seu ponto mais alto é o Pico do Aconcágua, na Argentina, com 6.962 metros, considerado também o mais alto da América. A Cordilheira dos Andes vai da Venezuela até a Patagônia, atravessando o Chile, Argentina, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela, servindo de fronteira natural entre Chile e Argentina. Vencida a primeira parte da Cordilheira dos Andes, que reencontraríamos na volta, o Deserto do Atacama é nosso próximo destino...



quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Algumas coisas não merecem ficar guardadas...

Tudo começou em 2008, faculdade de Jornalismo, Ponta Grossa, matéria de Webjornalismo e a missão de montar um blog. Passei o dia matutando sobre o que seria o MEU blog. Simples: viagem! E assim nasceu o Destino Incerto. Hoje ele não existe mais, estava hospedado no Terra (porque alguém da sala precisava testar este provedor, mesmo todos sabendo que era uma porcaria, e eu fui a escolhida) e um belo dia ele desapareceu do mundo virtual. Mas eu, como boa perfeccionista que sou, salvei todos os textos. Esses dias, mexendo em alguns arquivos antigos, encontrei este material e, realmente, algumas coisas não merecem ficar guardadas...

Assim começa mais uma aventura por aqui! Ah, sim, as fotos são de câmera de filme, muito amor!



Quer viajar sem sair de casa?! Você está no lugar certo.. Destino Incerto vai revelar lugares conhecidos e outros não tão conhecidos assim! Pegue sua mochila, coloque nas costas e pé na estrada..
 
Vamos começar nossa aventura atravessando a Cordilheira dos Andes e o Deserto do Atacama, chegando à costa do Pacífico, no Chile. Nossa segunda viagem será ainda mais longa, vamos percorrer toda a Patagônia Argentina e chegar a Ushuaia, a cidade mais ao sul do mundo!
 
Partindo de Videira, no meio-oeste catarinense, até La Serena, balneário chileno na costa do Pacífico, e retornando ao Brasil foram percorridos 7.109 quilômetros de carro, totalizando 14 dias de viagem.

Para chegar à Terra do Fogo e a Ushuaia, e retornar ao Brasil percorremos 14.216 quilômetros em 24 dias. Nossa aventura está apenas começando.. e nosso destino ainda é incerto! No decorrer do blog você descobrirá onde será a próxima parada.